Sunbonnet Sue

 

 
Gravura de Kate Greenaway


Sunbonnet Sue é o nome pelo qual ficou conhecido o desenho da bonequinha cujo rosto está sempre escondido por um gorro ou chapéu, tão popular no patchwork.

A Sunbonnet Sue é uma bonequinha centenária, e suas primeiras aparições foram na Inglaterra, em 1867, através de ilustrações da desenhista inglesa Kate Greenaway.  Kate Greenaway escrevia livros infantis ilustrados.

Neste período, chamado de Era Vitoriana, as sedas, veludos e brocados eram muito utilizados no trabalho denominado crazy e os bordados muito valorizados.  Na Escola de Kensington para Meninas, na Inglaterra, em meados de 1800, surgiu um bordado que se tornaria muito popular também, o que chamamos hoje de Redwork.  Nestes bordados eram utilizados alguns desenhos da Kate Greenaway como moldes, principalmente os das meninas ou bonecas de gorro ou chapéu
.
 

 
Na Feira do Centenário da Filadélfia, em 1876, todas as novidades têxteis da Europa foram trazidas para o novo mundo.  A partir daí as bonequinhas começaram a se popularizar nos Estados Unidos.  No início a popularidade veio através do Redwork e depois começaram a surgir os primeiros desenhos e apostilas das Sunbonnets em Quilts entre 1900 a 1915.

Na verdade, um conjunto de fatores contribuiu para a popularidade das Sunbonnets e sua presença no patchwork.

Nos Estados Unidos, é atribuído à escritora Bertha Cobbert o título de "Mães dos Bebês Sunbonnets".
Bertha Cobbert era ilustradora do "Minneapolis Journal", (Minneapolis é uma cidade do estado de Minessota, nos Estados Unidos), e em 1902 foi publicado o seu livro "The Sun-bonnets Babies", onde havia ilustrações de meninos e meninas com os rostos cobertos por seus chapéus e gorros.
As ilustrações de Bertha ficaram tão populares, que logo foram impressas em tecidos, canecas etc.
Foi em 1915, na cidade de Amboy em Minessota, que apareceu o primeiro Sunbonnet Quilt, feito por Alice Brown, para presentear sua neta.
Minessota é o estado americano onde essas bonequinhas se popularizaram com maior intensidade.


Por ser um tipo de desenho animado, de caráter alegre e inocente, e devido a sua versatilidade, podendo ser adaptada a qualquer situação: histórica ou do dia a dia, essas bonecas conseguiram sobreviver até os dias atuais.



Gravura de Bertha Cobbert

Depois do período da Depressão Americana e Segunda Guerra Mundial os motivos infantis
e ingênuos foram "esquecidos".  As Sunbonnets caíram no esquecimento "popular", os bordados de redwork deixaram de ser populares e as meninas sobreviveram somente entre as quilters.


Por um longo período, essas bonequinhas, eram apenas mais um bloco delicado de aplicação, para quilts infantis.
Nos anos 80 as bonequinhas começaram a aparecer com mais intensidade. Quilters "feministas" começaram a criar bonequinhas que demonstravam seus sentimentos, suas idéias e aspirações.

A Sunbonnet tradicional começou a ser adaptada para exprimir idéias modernas, muitas vezes chegando até a ser satirizada.

 



 

Surgiram Sunbonnets regionais com adaptações em tarefas modernas, diferentes das suas "avós" empenhadas sempre em tarefas domésticas.

Além de "Sunbonnet Sue", estas bonequinhas também são conhecidas como "A menina do Chapéu", "Dutch Doll" (Boneca Holandesa), "Bonnie Bonnet", "Sun Bonnet Babies", "Carmem" (menina mexicana/espanhola com "sombrero") e o similar masculino é conhecido como Bill Bonnet.

As bonequinhas sobreviveram.  Hoje, há quem goste das tradicionais, há quem goste de adaptações modernas, o importante, é que elas jamais possam ser esquecidas.

No ano de 2002 foi comemorado o Centenário das Sunbonnets.


 

Clique aqui e acesse o nosso artigo publicado na revista Patch e Afins nº 05

 
     
 

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