Aranhas, Minerva e Patchwork

 

 




 

A teia de aranha é um símbolo encontrado em vários Quilts antigos, e, segundo a lenda, tal teia representaria a habilidade da “quilteira”.
Você também já deve ter ouvido falar que em algumas regiões dos Estados Unidos praticava-se uma espécie de “simpatia”, desenhando-se uma teia de aranha nas costas das mãos de uma menina, para trazer-lhe habilidade.

Aranhas, borboletas, abelhas e vários outros insetos estão sempre presentes no patchwork. Nos Crazy Quilts, por exemplo, a teia de aranha não pode faltar na decoração bordada.
Toda essa “adoração” a insetos remota de um passado bem distante. Na Era chamada Vitoriana, onde os bordados crazy se tornaram sensação, teias de aranhas, borboletas, besouros, libélulas eram vistos não só em bordados, como também representados através de broches, botões e vários outros tipos de ornamentos e jóias.

Acreditava-se que teias de aranhas traziam sorte, borboletas eram tidas como símbolos de vida eterna, enfim, existia e existe até hoje toda uma crença na simbologia em torno destes tão minúsculos seres.

 

 

No século 18 e início do século 19, a abelha e a aranha e sua teia eram utilizadas freqüentemente como símbolos da indústria têxtil.
A abelha também foi utilizada pelos judeus que tentavam sair da Alemanha Nazista como um símbolo de ajuda. Mostrar uma imagem de abelha era um sinal que aquela pessoa era “amiga” e estava disposta a ajudar. A abelha também está representada como sinal de ajuda e amizade na chamada Rota de Fuga dos Escravos na época da Guerra Civil Americana.
Enfim, os símbolos estão sempre presentes na história da civilização. Seja através de mitos, seja através de histórias verdadeiras.


Mas, e Minerva?
Ela era a deusa protetora de Roma, e principalmente a defensora dos artesãos e do trabalho manual, auxiliadora dos heróis. Tornou-se também símbolo do conhecimento e da sabedoria, devido a sua identificação com a deusa grega Atena.

 

 

 


 


 "Minerva”


 

 

Conta a lenda, que Minerva era muito habilidosa, mas certa vez, foi desafiada pela mortal Aracne, uma artesã conhecida e admirada por todos por ser muito talentosa com os trabalhos da agulha.
O desafio consistia em cada uma tecer uma peça de tecido.
Minerva representou em seu tecido uma batalha com Netuno em torno do nome que deveria ser usado pela cidade de Atena.
Aracne, como sinal de provocação, representou as intrigas e metamorfoses dos deuses do Olimpo. Contudo, Aracne fez um trabalho perfeito e Minerva, apesar de não ter gostado da representação disposta naquele tecido, não conseguiu encontrar um só defeito no trabalho.
Minerva, louca de raiva, esqueceu-se de que era deusa e rasgou o tecido de Aracne. Esta, movida pelo desespero ao ver rasgado o seu trabalho perfeito, tentou-se enforcar com o tecido. Minerva, tomada de piedade, sustentou-a no ar para impedir que se estrangulasse, e disse-lhe: "Viverás, Aracne, mas ficarás para sempre pendurada desta maneira; será o castigo teu e de toda a tua posteridade". Ao mesmo tempo, Aracne sentiu que a cabeça e que o corpo lhe diminuíam de volume; pequenas patas lhe substituíram os braços e as pernas, e o resto do corpo se transformou num enorme ventre. A partir de então, as aranhas (aracne) sempre continuaram a fiar, e a indústria humana até hoje não conseguiu igualar-se à finura dos seus tecidos.

 

 

 

Viu só? Lendas, verdades, coincidências, quem se importa? Na verdade, o que me apaixona nessas histórias é perceber o verdadeiro significado do patchwork. É entender quantas histórias, quantos sentimentos envolvem essa união de retalhos.
 
Pablo Picasso costumava dizer:
“A Arte é uma mentira que representa verdades”.


Clique aqui e acesse o nosso artigo publicado na revista Patch e Afins nº 06
 

 

 

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